04/03/2008

Paul Watson, o afundador de baleeiros


Quando nascemos em um país sem guerras, e com razoáveis condições de sobrevivência, a tendência é crescer sem se preocupar com o que está além do universo do próprio umbigo. Estudamos, trabalhamos, compramos objetos supérfluos, e durante a noite nossa cabeça repousa tranqüila.

Em Novembro de 2000, lendo a revista Superinteressante, descobri em uma entrevista, um ser humano diferente. Um verdadeiro herói sem superpoderes. O capitão Paul Watson, o afundador de baleeiros!

Em 1970, era um hippie movido pela coragem de colocar a própria pele em risco para encabeçar a ONG mais conhecida do mundo. O Greenpeace. Só que sete anos mais tarde, ele deixa o Greenpeace por entender que precisava ser mais ativo, e menos burocrático. Segundo ele, ambientalistas não devem estar mais preocupados em vender produtos do que defender o planeta. Nascia assim a Sea Shepherd. (Eles também vendem suas camisetas, e aceitam doações, mas eles partem para a guerra. Não ficam na diplomacia inútil).

Nesses 30 anos de atuação, já afundaram 11 baleeiros. Simples assim... Com um navio mais rápido e mais pesado, ele força a colisão, e causa avarias nos baleeiros até afundá-los! Já foi preso dúzias de vezes, mas essa é a sua missão neste planeta azul. A caça sanguinária das baleias passou a ser menos rentável se existe um navio pelos mares com a missão de destruí-los.

A cada afundamento, seu navio “Steve Irwin”, recebe uma pintura como marca do feito. Pode ser a bandeira do país do baleeiro com seu respectivo nome, ou a tradicional bandeira pirata para os navios que não sejam patrocinados por uma pátria específica. Segundo Watson, ainda falta uma bandeira do Japão nessa coleção que você pode apreciar abaixo:



Mas neste mês, o “Steve Irwin” alcançou o baleeiro japonês “Nisshin Maru” no Oceano Antártico, e pelo seu porte não pode ser abordado pelos métodos anteriores. Não afundaram, mas já atrapalharam em muito a continuidade das atividades do “Nisshin Maru”. Centenas de garrafas contendo um preparado químico altamente corrosivo, e de péssimo odor, foram atiradas para o interior do navio.

Os japoneses alegam que 3 marinheiros foram atingidos, e que o líquido feriu seus olhos. O governo japonês classificou o ato como imperdoável, mas Watson se defende dizendo que este ataque foi filmado, e que nenhum projétil caiu perto dos marinheiros. O confronto criou um incidente internacional que ainda terá bons capítulos. Vamos aguardar...

Enquanto isso peço que você leia o conteúdo os links indicados.

A revista Trip, em Dezembro/07 também o entrevistou o Paul Watson, e você pode ler aqui a entrevista na íntegra.

06/02/2008

Beatles in the sky with Maharishi Yogi


Quando criança, desenhava o sol e a lua como eu os imaginava. Alguém tinha desenhado no céu, e eu só tinha que copiar. Não tinha percepção de que se tratava de algo físico.

Os desenhos animados me ensinaram que dava para "pousar" em alguns desses pontos luminosos, mas nada se compara com o dia que visitei um planetário. Lembro com detalhes da narração, do projetor, e das várias surpresas e descobertas que fiz naquele dia. Literalmente um novo universo se abriu para mim.

Desde então tenho fascínio pelo espaço. Não o suficiente para cursar Astronomia, mas um enorme interesse pelo desconhecido em geral. Um fenômeno explicado pela ciência é como se alguém me contasse um filme que agora não quero mais assistir...
Incoerente, não? Tenho sede de respostas, mas as mesmas são o fim de um prazer.

Será que o que ainda será descoberto é mais interessante que a ficção? Mais trash que Barbarella? Mais desbravador que Jornada nas Estrelas? Mais aventureiro que Perdidos no Espaço? Uma saga com mais riqueza de detalhes que Star Wars? (É melhor não citar o Pequeno Príncipe, porque esta obra só miss costuma exaltar...)

Bem, e no início dessa semana a Nasa lançou ao espaço através de uma antena em Madri, "Across the Universe", uma das músicas dos Beatles que eu mais gosto. A transmissão foi na direção de Polaris, que fica aqui pertinho... Apenas 431 anos-luz da Terra.
O que pensarão de nós os Polarianos? Mais psicodélico que "Across the Universe", apenas "Lucy in the Sky With Diamonds".

Essa fase barbuda dos Beatles foi muito influenciada pelo guru indiano Maharishi Yogi, conhecido pela meditação transcedental. Agora veja como algumas coincidências tendem para o desconhecido que tanto me interessa... Um dia após as transmissões da Nasa, rumo a Polaris, faleceu Maharishi Yogi.

Teria sua essência se interessado em uma carona?

Jai guru deva, Om!
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.
Jai guru deva...
Jai guru deva...
Jai guru deva...
Jai guru deva...
Jai guru deva...
Jai guru deva...

29/01/2008

Resumo do que não foi escrito

Pois é, o ano está acabando...
O que? Já acabou? Estamos no fim de Janeiro?
Ok, tudo bem. Ainda posso fazer algo original! Você é uma pessoa compreensiva, com alto poder de imaginação, e agora vai ler o que eu NÃO escrevi! Aha!!!!

Olha, desejo a você um Feliz Natal! Espero que a sua tia não aperte suas bochechas, que não se espante dizendo o quanto você cresceu, e que não pergunte se você está namorando. Essa é meio difícil, porque as tias sempre perguntam se estamos namorando. E quando dizemos que sim, a pergunta muda para quando casaremos... Não é verdade? E a não menos inconveniente pergunta seguinte é quando vamos "encomendar" o bebê... Nossas tias encarnam a pressão da sociedade quando as vemos no Natal. Essa é a minha percepção dessa reunião familiar que acontece a cada 365 dias... (Tia, se a senhora estiver lendo, é de uma tia imaginária que estou me refererindo, ok?)

Por falar nesse ciclo que chamamos de ano, Feliz Ano Novo!!!! Puxa, como correm esses quenianos! Você assistiu a retrospectiva que sempre é igual a anterior? Se reprisarem você não vai perceber! Ok, você vai perceber, mas pense na profundidade do que relatei. Tem o bloco das tragédias, o bloco dos famosos que se foram, o bloco para fazer voce rir... O formato é o mesmo.

O que? Já estão falando de Carnaval? Nem bem virou o ano! Ainda bem que nesse ano começa cedo, assim a tortura passa logo. Eu já sobrevivi a vários, e desenvolvi minhas técnicas para me desplugar dessas dias de alegria ilusória. Se tiver tempo, pode ler o que eu escrevi no ano passado sobre os discípulos de Momo.

Bom, as férias acabaram. A rotina já bate na porta, e é preciso dizer que não estou. Vou fazer as coisas diferentes neste ano! E outras vou fazer exatamente igual só para sacanear. A legenda e eu, estamos de volta. Obrigado a você que veio aqui nesse período e precisou usar a imaginação para ler o que eu não tinha escrito. Você é camarada mesmo, hein?

09/12/2007

Dicas para lidar com atendentes


Se tem uma coisa que te irrita profundamente é ter que argumentar com atendentes de telemarketing... Acertei? As chances de errar nessa afirmação são quase nulas.
Como a informação é uma arma poderosa, após te fornecer alguma munição, vou deixar no final um link para uma notícia bem interessante. (Afinal não desejo que vc saia do blog assim tão rápido. hehehe...) Vai ser um post longo, mas esclarecedor.

Vamos lá! Como eu já trabalhei em duas empresas que tem este tipo de atendimento, posso contar o que vi e ouvi além das linhas "inimigas". Talvez o maior conselho seja justamente não tratar o atendente como inimigo. Analise comigo quem é este indivíduo que está do outro lado da linha. Vai parecer que estou defendendo os atendentes, mas na verdade serei justo. Vou assoprar, mas tenho o que bater também. Entenda o todo, ok?

Quase sempre é alguem que não conseguia seu primeiro emprego, e resolveu tentar este caminho difícil, porque é justamente no telemarketing que as agências de emprego conseguem mais oportunidades. Entenda a pressão desta pessoa em começar, ou voltar a trabalhar, depois de muito tempo ouvindo "nãos".

Para ajudar a ilustrar, vou criar um personagem. Seu nome real não importa, pois agora será batizado como Wescley Ricardo. (Um codinome vergonhoso inventado por seu coordenador).

Ao chegar na empresa, quase todos passam nos testes, afinal a demanda é muito grande. Esses testes foram rigorosos? Voce já deve ter deduzido que não... Depois vem o "treinamento", onde nosso amigo recebe um manual gigante sobre todos os procedimentos da empresa.

Você como cliente conheceu o que tem lá quando contratou o serviço? Não? Nem o Wesley Ricardo terá tempo para conhecer, pois em pouco tempo será lançado ao fogo das PA's. (Posições de atendimento).

Chegamos onde eu queria. O cara precisa muito desse emprego, e despreparado vai para a guerra. Sabe que suas conversas serão monitoradas, e foi orientado a atender como um robô. Seu script é seguido rigorosamente cerca 300 vezes por dia, afinal ele será cobrado se não atender essa média. Depois de um tempo, já atende seu telefone de casa seguindo o script. Ouvi vários relatos desses... rs...

Conflito interno. Muitas vezes o Wesley Ricardo não saberá quem defender. A empresa que paga seu salário, ou o cliente que está coberto de razão? Nem sempre o cliente está correto, é verdade... Tem muito "espertinho" tentando obter vantagens pela Lei de Gérson, mas vamos nos basear no cliente-vítima, ok?

Este cliente-vítima se transforma em vilão rapidamente se grita e ofende o atendente. Não é na truculência verbal que você conseguirá o que precisa. É uma covardia ofender assim, já sabendo que não poderá ser ofendido de volta. Entenda que se o atendente não sabe ao certo de que lado do time ele joga, ter o mesmo como aliado é o mais inteligente. Ele vai tentar encontrar um caminho para te ajudar, e muitas vezes não há. Lembre-se as regras que ele segue foram ardilosamente criadas pela empresa.

Tente manter a calma se ele demorar a entender o seu caso. A variedade de problemas é muito grande, e a cabeça dele já virou um trevo logo depois do primeiro atendimento do dia. A quinta geração da família dele não tem nada a ver com a sua disputa com a empresa. Ele não te enganou. Ele não te roubou. Imagine se você fosse chamado de ladrão várias vezes por dia... As pessoas quando lesadas tem a tendência de dizer que se o atendente representa a empresa, é ele que vai ouvir os palavrões.

E agora o atendente-vítima é que se transforma em vilão. Você vai gostar mais desta parte. rs...
Com alguma experiência, o Wesley Ricardo já aprendeu algumas coisas para se defender. Para começar, se identifica com muita rapidez, e você só ouve: EmpresaX,Weslicardoboatardeemqueposjudar?

Dessa forma você não poderá telefonar de novo reclamando dele. Então, não começe seu assunto sem perguntar o nome de atendimento que ele usa com clareza. Pergunte também se a ligação está sendo gravada, e se ele pode passar o protocolo de atendimento antes mesmo de começar a conversar. Deixe claro que você sabe da existência do seu histórico no sistema. Eles digitam tudo lá. Porisso faça suas anotações também! E principalmente seja polido(a), lembra?

Se a ligação ainda não caiu "acidentalmente", você pode ter certeza que seu atendimento não terá truques de fuga. Os atendentes costumam a deixar o pepino para outro colega sempre que podem. Agora ele precisa te ajudar de verdade. Sua educação, e sua demonstração de que sabe jogar nas regras deles acaba de garantir isso.

Para não sofrer muito na hora de cancelar um serviço, diga logo de cara que está convicto em cancelar, e que deseja ser passado para o setor de retenção, afinal ele ia te transferir para lá de qualquer forma depois de te desgastar por uns 15 minutos... Assim você não conta a mesma estória duas vezes. A retenção é o depto em que o atendente é especialista em manter o cliente com ofertas. Se você quer mesmo cancelar, já diga que não aceitará nenhuma oferta, e que deseja somente o cancelamento.

E se a ligação foi deles para oferecer algo que não te interessa, eles falam sem respirar para você ouvir tudo sem interromper. Não hesite em interromper. Peça licença, e não invente desculpas. Diga somente que não deseja a oferta, e que por favor não insistam. Sempre é o suficiente. Você não perde seu tempo, e o operador já percebeu que ele também ganhará o tempo dele para ligar para outra pessoa.

Tem muito mais, mas minha memória foi afetada por digitar assim como um psicopata. Prometo que não escreverei mais assim em um só post. E por falar em promessa aí vai o link para uma notícia bem interessante.

30/11/2007

No meio do caminho tinha um muro

No dia 30 de Novembro de 1979 foi lançado um dos albúns mais importantes da história. Pink Floyd - The Wall é um disco conceitual, onde a cada faixa você é apresentado a um novo trauma da vida de Pink, o protagonista que perde o pai na guerra, tem uma mãe super-protetora, um professor autoritário, uma esposa infiel, e até um rato doente de estimação. Pink cresce, se torna um astro decadente do rock, potencial suicida, que depois de escapar de uma overdose reaparece como um ditador! Ahn???

Se você não assistiu o filme homônimo de 1982, merece que eu tenha entregue de cara essas informações. Vê se para de assistir Rocky IV, e busque referências melhores para sua vida cultural. rs... Estou brincando, é claro! O mais provável é que você seja mais novo(a) do que o disco...
Vou escrever um pouco mais sobre o The Wall, que não se resume no hit "Another Brick in the Wall - part II". O disco tem músicas belíssimas, e entre as faixas algumas das vozes e frases que encontramos no filme. Como assim? O disco é anterior ao filme!... A cabeça de Roger Waters é única mesmo. Tem muito de autobiografia nisso tudo, mesmo que misturado com fatos da vida do Syd Barrett. Toda a insanidade está explicada!

E o que tem muro a ver com insanidade? Tudo! Desde conter corpos com mentes perturbadas em hospícios, aspectos psicológicos de isolamento, até guerras por território.

Embora o Muro de Berlim esteja no chão, ainda temos vários muros-da-vergonha pelo mundo. Um em Marrocos, um na Coréia, um israelense na fronteira palestina, e o mais recente deles dividindo os EUA da América Latina.

Sim, o muro do país que ao invés de nome tem uma sigla, afinal americanos somos todos nós, não está lá para discriminar apenas os mexicanos, e sim para todos os latinos da América. A incapacidade de lidar com a imigração ilegal gerou esta "solução" tão difícil de engolir para uma era em que as pessoas se julgam evoluídas.

Mother should i run for president? Mother should i trust the government?

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